Ex-presidente do Peru morre após dar tiro na cabeça ao ser preso em Lima

O ex-presidente do Peru Alan García, alvo de uma investigação por corrupção relacionada à Odebrecht, morreu nesta quarta-feira após cometer suicídio durante uma operação da Polícia Nacional. O ex-chefe de Estado, de 69 anos, estava internado no Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima, depois de atirar contra a própria cabeça ao saber que seria preso em sua casa. Ele passou por uma cirurgia de emergência, mas não resistiu ao ferimento e faleceu depois de sofrer três paradas cardiorrespiratórias. 

Segundo informações do jornal El Comercio, do Peru, agentes da Divisão de Investigação de delitos de Alta Complexidade foram até a casa de García logo depois que o Judiciário autorizou a sua prisão temporária por um prazo de 10 dias. A partir daí, conforme um dos advogados do ex-presidente, Erasmo Reyna, o dirigente decidiu atirar contra si mesmo, momento em que ele e os agentes responsáveis pela prisão ouviram o disparo.

Reyna anunciou que ingressará com ações judiciais contra funcionários do Ministério Público e autoridades policiais que realizaram a operação na casa do ex-presidente. Segundo o advogado, ocorreram diversas irregularidades na entrada dos policiais no domicílio de García. 

García esteve na presidência do Peru em dois mandatos: de 1985 a 1990 e, mais recentemente, de 2006 a 2011. 

O atual presidente do Peru, Martín Vizcarra, se manifestou sobre a morte de Alan García. “Estou consternado pelo falecimento do ex-presidente Alan García. Envio minhas condolências para a sua família e seus entes queridos”, escreveu no Twitter.

De acordo com a ordem judicial obtida pela agência Associated Press, a autorização para prender García foi emitida sob o argumento de que o ex-presidente teria recebido 100 mil dólares da Odebrecht, dinheiro pago de forma disfarçada como um cachê de uma conferência realizada em São Paulo, ainda em 2012. Em dezembro, o Uruguai rejeitou o pedido de asilo de García, que buscou proteção no consulado uruguaio em Lima depois de um juiz reter seu passaporte na investigação sobre propinas pagas pela Odebrecht.

Ao negar a solicitação de García, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, disse que não havia provas que respaldassem a alegação do dirigente peruano, que se dizia perseguido politicamente pelo atual chefe de Estado, Martín Vizcarra. 

Ex-presidentes na mira 

A suposta relação de García com esquemas de suborno era investigada pela procuradoria especial da Lava Jato. Além de García, a investigação mira outros três ex-presidentes do Peru. Pedro Pablo Kuczynski teve a prisão preventiva solicitada recentemente. Alejandro Toledo e Olanta Humala são os outros dirigentes que teriam participado dos crimes apurados.  

Assim como García, Humala e Kuczynski estavam proibidos de deixar o Peru. Toledo conseguiu fugir para os Estados Unidos, mas atualmente enfrenta um pedido de extradição. A Odebrecht está no centro do maior escândalo de corrupção na América Latina depois de admitir, em acordo assinado em 2016 com o Departamento de Justiça dos EUA, que pagou mais de 800 milhões de dólares em propinas em diversos países da região para ser beneficiada em grandes obras de infraestrutura. No Peru, a empresa disse que pagou 29 milhões de dólares entre 2005 e 2014.

Fonte: CP