Itaqui Prestes a Se Tornar Referência Mundial em Sílica Sustentável

Itaqui está prestes a dar mais um gigante passo não só em seu próprio progresso como também no progresso da Fronteira Oeste Gaucha. Nosso município em poucos meses irá se tornar uma referência mundial na fabricação de sílica sustentável. A Oryzasil Sílicas, do grupo alemão Ferrostaal, vai fabricar o produto a partir da casca de arroz em uma unidade que será oficialmente inaugurada em maio.

RONNY BORGES/DIVULGAÇÃO/JC – Jornal do Comércio

O investimento total é previsto em até R$ 300 milhões até o fim de 2021, quando a planta alcançar a capacidade completa de produção. O principal produto da Oryzasil é a sílica precipitada, amplamente utilizada na produção desde pneus e borrachas a creme dental e tintas. A empresa quer fornecer o produto para a indústria de pneus verdes, que geram economia de até 10% de combustível, cita o CEO da Oryzasil, o alemão Albert Ramcke.

O projeto está sendo concebido em duas etapas. Na fase inicial, 60% do aporte foram captados com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que repassa recursos de fundos públicos federais para desenvolvimento científico e tecnológico. A capacidade já instalada pode produzir de cinco a seis mil toneladas de sílica por ano.

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No fim de 2021, quando a planta estiver operando a pleno, a capacidade saltará para até 28 mil toneladas ao ano, e o investimento chegará aos R$ 300 milhões. A construção é inovadora também em termos de tecnologia. A estrutura foi concebida nos moldes da indústria 4.0, que prevê plena automação dos processos.

Mais de 30 funcionários já foram contratados para trabalhar na fábrica, dentre doutores e engenheiros de diversas áreas, como de Química. Uma nova leva de pessoal deverá passar por treinamento até que se chegue ao efetivo de 140 trabalhadores. A maior parte dos colaboradores a serem recrutados deve ser da própria região. O que faz a fábrica ser pioneira na fabricação sustentável é o ciclo completo do processo, que utiliza a matéria-prima tanto na geração de energia quanto na fabricação da própria sílica.

“Existe a tecnologia de extrair o silício há um bom tempo em laboratório, em vários lugares do mundo. Conseguimos fazer isso em escala industrial, o que já é inédito. Mas o que torna o projeto 100% inovador é o fato de concebermos a fábrica completamente livre de efluentes e produzindo sílica já pronta para o mercado”, afirma Ramcke. A casca de arroz não permite ser transportada por muitas distâncias – por ser muito leve e volumosa, onerando muito o frete para a indústria arrozeira. Quando não utilizado, o resíduo do grão é despejado em aterros sanitários, gerando gás metano e dióxido de carbono, altamente prejudiciais ao solo. Para tornar a casca útil, então, a fabricante desenvolveu o processo que utiliza o descarte como matéria-prima. A partir da queima da casca de arroz, é possível gerar energia em forma de vapor, ar seco, ar seco quente e energia elétrica.

O processo cumpre exigências ambientais previstas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam), evitando que a combustão seja nociva ao ambiente. A energia gerada na planta tem capacidade para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes. Da queima da casca do arroz surge a cinza, de onde é extraído o silício utilizado na fabricação da sílica como produto pronto.

Em outras fábricas do ramo, o elemento também é fabricado a partir da areia. Também desse processo pode ser obtido o silicato de sódio, produto intermediário da produção da sílica e que gera o sulfato de sódio, outro subproduto utilizado pela indústria na fabricação de detergentes, sabão e corretor de solos.

A instalação da fábrica ocorre em local propício. Itaqui é a segunda maior região produtora de arroz no Rio Grande do Sul. A fase inicial de produção utiliza cerca de 40 mil toneladas de casca de arroz obtidas de produtores do município, quantidade que deve ser ampliada para 140 mil toneladas quando a produção estiver em capacidade máxima. –

Fonte : Bruna Oliveira – Jornal do Comércio